You are viewing archived content
of the Inter-American Foundation website as it appeared on June 1, 2018.

Content in this archive site is NOT UPDATED.
Links and dynamic content may not function, and downloads may not be available.
External links to other Internet sites should not be construed as an endorsement of the views contained therein.
Go to the current iaf.gov website
for up-to-date information about community-led development in Latin America and the Caribbean.

Quando o mundo chama: a verdade sobre o corpo da Paz e seus primeiros 50 anos de Patrick Ahern

Print
Press Enter to show all options, press Tab go to next option
When the World Calls: The Inside Story of the Peace Corps and its First 50 Years
[Quando o mundo chama: a verdade sobre o corpo da Paz e seus primeiros 50 anos]

Stanley Meisler
Beacon Press; Boston, 2011

Em outubro de 1960, às 2 horas da madrugada, John F. Kennedy fez um discurso de improviso, que durou apenas três minutos, durante uma parada de sua campanha na Universidade de Michigan. Ele perguntou aos estudantes que haviam se reunido para escutá-lo se estariam dispostos a passar dois anos de sua vida ajudando as populações do mundo em desenvolvimento. Ao ver a reação deles, Kennedy achou que, como disse a um assistente, ele havia “ganhado a loteria”. Ele usou o mesmo “bilhete” no discurso de sua posse, com uma frase que se tornou imortal: “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por seu país.” No mês seguinte, 25.000 americanos inundaram a Casa Branca com cartas perguntando ao presidente o que eles podiam fazer. Kennedy recorreu ao seu cunhado, Sargent Shriver, que foi aconselhado pelos assessores do presidente a procurar as instituições de ajuda externa e começar com pequenas iniciativas. Em vez disso, ele criou uma agência independente que começou a todo vapor e teve a audácia de enviar seus primeiros contingentes de voluntários para Gana e Índia, países “não alinhados” comandados por líderes independentes.

O resto é história.

Stanley Meisler, autor desse livro de leitura agradável, serviu de 1964 a 1967 na unidade de avaliação do Corpo da Paz. Composta de jornalistas que conseguiam enxergar além das estatísticas, essa unidade produziu relatórios rigorosos, que eram lidos pelo próprio Shriver. Meisler não fazia rodeios (e não faz rodeios neste livro). Ele e seus colegas documentaram desde o início que os voluntários em geral eram mal preparados, seus papéis mal definidos e seus contatos com as aldeias mínimos. Essas deficiências foram logo corrigidas por uma ênfase na capacitação, preferência por habilidades práticas, mais atenção à colocação e recrutamento de voluntários mais velhos e experientes. A imersão no contexto local e um conhecimento profundo da cultura passaram a definir o turno típico. Em resultado, pessoas comuns em todo o mundo criaram laços com esses “hijos de Kennedy”, como os voluntários eram chamados na América Latina. “Yankee go home, exceto Casey”, dizia um cartaz numa comunidade durante a invasão americana da República Dominicana em 1965. Quando Shriver deixou o Corpo da Paz em 1966 para lançar a Guerra contra a Pobreza, havia 15.556 voluntários. Apesar do constante apoio bipartidário no Congresso e na Casa Branca, as atuais restrições orçamentárias reduziram esse contingente a cerca de 7.500 no campo e sua concentração diminuiu, pois aumentou o número de países que os recebem, incluindo os que faziam parte da União Soviética. Entre os mais de 200.000 ex-membros, dois foram eleitos para o Senado dos Estados Unidos: Christopher Dodd, que serviu na República Dominicana, e o falecido Paul Tsongas, que serviu na Etiópia, onde o ex-senador Harris Wofford foi diretor; e vários membros da Câmara de Representantes, entre eles Sam Farr, Mike Honda e Thomas Petri, que serviram, respectivamente, na Colômbia, El Salvador e Somália.

Outro experimento de base, a Fundação Interamericana, foi criada em 1969, oito anos após o Corpo da Paz. A IAF tem sido um ímã virtual para os ex-voluntários e funcionários do Corpo da Paz, o que influencia seu enfoque e marca seu trabalho. Entre eles, está Bill Dyal, seu primeiro presidente, cuja confiança inabalável nas organizações de base e insistência na sensibilidade às suas ideias guiaram a IAF de 1969 a 1979 e continuam a defini-la. O atual presidente, Robert N. Kaplan, começou seu trabalho no campo do desenvolvimento como voluntário no Paraguai. Os seis presidentes titulares e interinos que o precederam também tinham uma conexão com o Corpo da Paz: Linda Kolko, voluntária em Belize; Embaixador Larry Palmer, voluntário na Libéria; David Valenzuela, diretor do Corpo da Paz no Chile; George Evans, diretor na Costa Rica; Embaixador William Perrin, diretor para Belize e Caribe Oriental; e Steve Vetter, voluntário na Colômbia. O quadro atual conta com sete ex-voluntários. (Eu servi no Panamá.) Os funcionários da IAF que aceitaram cargos no Corpo da Paz são inúmeros.

When the World Calls é um livro de leitura fértil que eu recomendo sem ressalvas. — Patrick Ahern, IAF representante para Nicarágua