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Donatários indígenas cinco anos depois de Emilia Rodríguez-Stein

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Desde 2009, a IAF tem visitado algumas organizações cinco anos após o término do financiamento da IAF, a fim de avaliar o que funcionou, o que não funcionou e por quê. Figura, a seguir, um instantâneo que ilustra a relevância de projetos culturalmente apropriados a três comunidades indígenas, o desenvolvimento de ativos locais para enfrentar desafios sociais e a influência do contexto do resultado dessas iniciativas:

Em 2001 a Asociación Consejo de Mujeres Mayas de Desarrollo Integral (CMM), constituída por mulheres indígenas K’iche, recebeu apoio da IAF para melhorar o acesso de mulheres e crianças em San Cristóbal, Totonicapán, Guatemala, a cuidados da saúde e a complementos nutricionais, bem como à informação sobre educação. Naquela época a mortalidade materna local era de 7 por 1.000 nascimentos vivos; a mortalidade infantil atingia 55 por 1.000. Além disso, naquele ano 150 crianças morreram de diarréia. Nos cinco anos seguintes a CMM utilizou o financiamento da IAF para capacitar parteiras em práticas pré-natais e higiene; expandiu e treinou uma rede de trabalhadores da saúde voluntários e introduziu hortas familiares para aliviar a desnutrição crônica. Em 2010, quatro anos após o término do financiamento da IAF, a CMM reportou que a taxa de mortalidade materna tinha caído a zero; a mortalidade infantil tinha diminuído significativamente; e crianças não morriam mais de diarréia. O número de trabalhadores da saúde treinados pela rede passou de 45 em 2011 para 155; as parteiras agora cobram uma taxa padronizada para partos, independentemente do sexo do bebê; e os esforços da CMM no sentido de conscientizar a respeito da violência doméstica contra mulheres e meninas ajudaram a reduzir a ocorrência de casos. Outros efeitos secundários importantes incluem o reconhecimento e respeito obtido pelas parteiras junto a outros profissionais da saúde da área e a contratação de mulheres da CMM, por parte das autoridades nacionais, para continuar a prestação de serviços de saúde às respectivas comunidades. Este caso ilustra a importância de apoiar soluções enraizadas nas comunidades indígenas. Como as mulheres indígenas da CMM eram muito conhecidas nas respectivas comunidades que nelas depositavam confiança, puderam aproveitar vínculos familiares e tradições para conseguir participação e apoio amplos. De fato, a CMM teve êxito em redefinir a participação nas iniciativas de promoção da saúde como parte vital da cidadania comunitária.

De 1997 a 2001 o Grupo de Asesoramiento Multidisciplinario en Medio Ambiente y Agro ecología (GAMMA), organização de apoio de base sediada em em La Paz, Bolívia, mas dedicada às práticas agrícolas sustentáveis no altiplano boliviano, usou o financiamento da IAF para trabalhar com homens e mulheres aimarás criadores de lhamas e ovelhas e com os ayllus, seus conselhos locais, na melhoria de pastagens, conservação da água e melhoria dos rebanhos. O treinamento tanto dos produtores como dos ayllus foi eficiente. Em 2010 a comunidade Choquecota de Oruro tinha uma fonte anual de água, melhores pastagens e novos centros de procriação. Nesta comunidade de altitude elevada, caracterizada por secas severas pontilhadas por chuvas torrenciais, o enfoque indígena do GAMMA na conservação da água e produção pecuária beneficiou-se da colaboração ativa dos ayllus. Ao mobilizar o capital social dos ayllus, os investimentos promovidos pelo GAMMA espalharam-se por toda a área e continuaram a ser eficazes 10 anos após o término do financiamento da IAF. Este exemplo mostra que uma organização alheia à comunidade pode conquistar a confiança de seus moradores e suas autoridades aproveitando os enfoques indígenas e as estruturas organizacionais.

Em 1999 os Ayllus Originarios de Quila Quila, um grupo de conselhos aimarás de Sucre, Bolívia, receberam uma doação da IAF para investir no desenvolvimento da agricultura e turismo. Nos seis anos seguintes os residentes da comunidade escalonaram encostas, instalaram sistemas de microirrigação, construíram alojamentos e um restaurante, bem como treinaram guias turísticos e trabalhadores na escavação de sítios arqueológicos. No entanto, em 2011 nenhuma das estruturas destinadas ao turismo estava sendo usada para esse propósito e somente os investimentos agrícolas em terras coletivas ainda estavam em uso. O que aconteceu? Oito anos antes, intensificaram-se décadas de tensões entre os ayllus e uma empresa de cimento que tinha a concessão de mineração na área e o governo municipal de Sucre revogou o status jurídico dos ayllus. Os ayllus de Quila Quila reagiram redirecionando o seu enfoque para garantir os direitos e mobilizar recursos para esta causa. Em 26 de novembro de 2003 os ayllus de Quila Quila declararam-se Território Indígena Autônomo e nos anos seguintes uniram-se a outras comunidades para formar a Nação Indígena Qhara Qhara. Por fim, uma organização eficiente e o aumento do capital social os ajudaram a conseguir apoio tanto do município como do Governo boliviano. O projeto ilustra a natureza dinâmica do desenvolvimento comunitário e como, quando o contexto assim o exige, o enfoque de uma atividade pode ser redirecionado à outra — neste caso a posse da terra e o treinamento de uma nova geração nas aptidões necessárias para exercer os direitos como indígenas bolivianos. A capacidade dos ayllus de definir — e redefinir — as próprias prioridades demonstrou ser fundamental para obter um resultado bem-sucedido.

Para obter informações mais detalhadas favor enviar e-mail a inquiries@iaf.gov. — Emilia Rodríguez-Stein, diretora de avaliação da IAF