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A marcha do desenvolvimento: Tinkuy de tecelões

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Durante três dias de novembro de 2010, mais de 400 artesãos de nove países da América reuniram-se em Urubamba, Peru, para compartilhar, descrever, apresentar e desfrutar técnicas imemoriais e maravilhosos têxteis no tinkuy — o encontro — de tecelões organizado pelo Centro de Textiles Tradicionales de Cusco (CTTC), donatário da IAF. Para muitos, esta foi a primeira experiência com colegas de outras comunidades. No harmonioso ambiente de um ecoalojamento, os tecelões, na maioria mulheres, compararam o seu artesanato cujos estilos e técnicas eram às vezes familiares e outras vezes exóticos.

Nos primeiros dois dias do tinkuy, tecelões mestres, tintureiros e fiandeiros demonstraram as suas habilidades. Entre eles estava D.Y. Begay, a tecelã navajo mundialmente famosa que descreveu o seu patrimônio a uma audiência cativa. Teresa Gómez, Maria Ana Lajuj e Ana Lucía Chávez, da Guatemala, compartilharam a tradição maia que utiliza o algodão. Timoteo Carita e Flortunada Flores mostraram complicados padrões quéchuas do Vale Sagrado dos Incas de Cusco, Peru. Até mesmo os intervalos para almoço foram intensos, quando artistas da Bolívia, México e Peru instalavam os seus teares e respondiam a perguntas. Nesses momentos havia oportunidade de vender artesanato aos convidados internacionais. O segundo dia culminou em uma demonstração da importância dos têxteis locais como expressão cultural com canções, danças e desfiles teatrais que provocaram ovações, risos, surpresa e emoção no público entusiasmado. A noite terminou com danças, apertos de mão e abraços.

Em Cincheros, a cerca de 20 quilômetros de Urubamba, o centro de capacitação do CTTC recebeu os convidados com workshops práticos em tintura natural, confecção de bainhas tubulares para têxteis de senhoras, tricô de padrões circulares de chapéus chamados chuyos e os fundamentos da tecelagem de cintura. Os próprios tecelões do CTTC aprenderam elementos de comercialização por meio de catálogos eletrônicos pela Internet. Mais de 40 artesãos de sete comunidades peruanas apinharam-se em um sala de aula para se convencer de que uma câmara digital e acesso a um computador era o único de que precisavam para atingir compradores de todo o mundo de forma fácil, barata e eficaz.

A ideia do tinkuy de tecelões tinha sido de Nilda Callañaupa, diretora do CTTC, três anos antes e a realidade não decepcionou. Centenas de tecelões regressaram ao lar com lembranças maravilhosas, ideias renovadas, reanimado entusiasmo, confiança no valor cultural e comercial do seu trabalho e planos de continuar em contato com os seus novos amigos.—Wilbur Wright, ex-diretor regional da IAF