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Civil Society and Social Movements. Building Sustainable Democracies in Latin America
[Sociedade civil e movimentos sociais. Construindo democracias sustentáveis na América Latina]

Editado por Arthur Domike
Banco Interamericano de Desenvolvimento: Washington, D. C., 2008

Civil Society and Social Movements: Building Sustainable Democracies in Latin America é uma coleção de 13 ensaios sobre o papel desempenhado por um conjunto de organizações vibrantes na propagação dos ideais e práticas democráticos em todo o Hemisfério. Embora às vezes áridos, estes ensaios argumentam com eficácia que a trajetória futura da democracia depende da adaptação dessas organizações à mudança política e indicam a forma como podem continuar a ser relevantes.

Arthur Domike agrupa os ensaios em três seções que focam a contribuição da sociedade civil para o alcance, consolidação e aprofundamento do impacto da democracia. Um tema transetorial é o fato de muitas vezes a opressão ou uma catástrofe catalisar uma reação organizada da base para acima. Os dois ensaios da primeira seção analisam a transição para o regime democrático em países cujas ditaduras brutais estimularam o surgimento de movimentos para exigir justiça social. A divagação de Rosa María Cruz López em “As organizações sociais dos direitos humanos na Guatemala: uma evolução”, inclui um quadro útil no qual se sintetizam os movimentos sociais que reagiram contra diversos regimes autoritários. Ela usa um exemplo oportuno de evento catalisador: um terremoto ocorrido em 1976. Segundo a autora, a percepção pública de indiferença do governo às consequências do terremoto levou os guatemaltecos a se organizarem e exigirem que as autoridades enfocassem seu sofrimento. (Não se menciona outro terremoto que abalou a Cidade do México em 1985 e incentivou as organizações mexicanas a se unirem e pressionarem o governo por ajuda).

Os dois ensaios da seção intermediária analisam o papel dos movimentos “progressistas” que pressionam para se pôr em prática ideais democráticos. Sergio Aguayo descreve a evolução da democracia mexicana e o papel que desempenhou a Aliança Cívica, um agrupamento de organizações de centroesquerda, no processo que pôs fim a toda uma história de governo unipartidário. A sociedade civil mexicana tem demonstrado resiliência, aprendendo dos reveses, e Aguayo insiste em que a esquerda deve igualmente atualizar-se para ser eficaz. Benjamín Reames descreve os cidadãos engajados que se organizam em torno de uma causa comum como uma “chispa” que origina os movimentos. Frequentemente são hábeis na defesa de causas, canalizando inquietações do cidadão comum para campanhas que levaram, por exemplo, a uma maior participação em processos públicos, transparência e responsabilização.

Os últimos ensaios estudam o papel da sociedade civil em assegurar que todos sejam incluídos nos benefícios da democracia. No capítulo mais interessante do livro, Charles Kleymeyer, ex-Representante da IAF, descreve vividamente a forma como os indígenas latinoamericanos se têm organizado para superar as práticas e os preconceitos que impedem a sua plena participação na vida política. Kleymeyer ilustra sua análise com relatos sobre uma jovem indígena equatoriana que protegeu o bloqueio de uma rodovia ficando parada na frente de uma escavadora e sobre Mariano Curicama, considerado o primeiro prefeito de ascendência indígena eleito na América Latina.

Embora alguns ensaios sofram do excessivo jargão que com demasiada frequência impedem este tipo de trabalho, cada qual deve ser julgado pelos próprios méritos. Com a introdução e conclusão de Domike vinculando todo o espectro, Civil Society and Social Movements afirma que a mudança começa com indivíduos organizados que trabalham no nível de base.—Jason Frost, estagiário da IAF

 

 

Half the Sky: Turning Oppression Into Opportunity for Women Worldwide
[A metade do céu: Como transformar a opressão em oportunidade para todas as mulheres do mundo]

De Nicholas D. Kristof e Sheryl WuDunn
Alfred A. Knopf: Nova York, 2009

Desde a década de 1970 a comunidade do desenvolvimento vem focando programas para mulheres. Inicialmente, em meados desse decênio, tivemos o enfoque denominado “mulheres no desenvolvimento” (WID), mediante o qual as mulheres foram levadas em conta, basicamente incorporando-as aos projetos. Surgiu, a seguir, o enfoque de “gênero e desenvolvimento” (GAD). Reconhece os papéis que as mulheres já desempenham como agentes de mudança e seu potencial para assumir outros. Mais recentemente, a “incorporação da perspectiva de gênero” aos projetos enfatiza a participação da mulher em todos os aspectos do desenvolvimento, entre eles a tomada de decisões.

A publicação de Half the Sky: Turning Oppression into Opportunity for Women Worldwide, dos jornalistas Nicholas D. Kristof e Sheryl WuDunn, vencedores do Prêmio Pulitzer, coincide com o empenho em formular ainda outro enfoque para melhorar a vida da mulher. O livro sugere um esforço mais abrangedor que reconheça a capacidade de toda mulher de mudar a própria vida. O título que Kristof e WuDunn escolheram inspira-se na afirmação de Mao Zedong segundo a qual “as mulheres sustentam a metade do céu”, um lembrete das capacidades e contribuições fundamentais que muitas vezes são negadas ou ignoradas. O livro destaca a repressão e o sofrimento das mulheres e meninas na África e na Ásia. Os abusos descritos escandalizam e comovem: tráfico sexual, prostituição forçada, violência e mortalidade materna evitável. Os autores admitem que as estatísticas podem ser estonteantes, mas reconhecem que alguns leitores querem cifras concretas. No entanto, é mais persuasiva a mensagem transmitida por meio dos relatos angustiantes sobre mulheres que superaram a adversidade para viver em segurança e encontraram uma forma de ajudar outros.

É óbvio que Kristof e WuDunn ficaram entusiasmados com as “empreendedoras sociais” entrevistadas, entre elas algumas recém-contempladas com uma bolsa da Fundação Ashoka, mas são os triunfos das mulheres mais humildes que assumem lugar de destaque. Meena, uma ativista da Índia sequestrada quando tinha 8 ou 9 anos e obrigada a ser prostituta na puberdade, não somente escapou do bordel, mas, graças à ajuda de um grupo antiescravagista, resgatou suas filhas da certeza de sofrer um destino semelhante e atualmente sua filha estuda para ser professora. Woineshet, outra jovem, negou-se a casar-se com o homem que a tinha sequestrado e violado, o que motivou os grupos de ativistas a exigirem a modificação da lei vigente na Etiópia em virtude da qual se exonerava de culpa os violadores que se casavam com suas vítimas. Os sucessos que Kristof e WuDunn documentam surgem de esforços de base de organizações dirigidas localmente de baixo para acima em zonas rurais, onde vivem pessoas de baixa renda. Muitas das mulheres valentes que se beneficiaram desta ajuda fundaram em seguida outras organizações.

As recomendações de Half the Sky — para educar as meninas fortificar o sal com iodo para facilitar o crescimento normal das crianças, erradicar as práticas que resultam em fístulas obstétricas e restaurar a saúde e a dignidade das mulheres — não surpreenderão os leitores habituais da coluna de Kristof no The New York Times, nem tampouco a incentivação para os jovens se aventurarem em viajar por conta própria a outros países para ajudar. (Mas eu me pergunto se deveriam fazê-lo, uma vez que para isso jà existem programas estruturados como o Corpo da Paz). Half the Sky propõe combater a pobreza mediante o “desbloqueio do poder da mulher como catalisador econômico”. Embora a maioria dos profissionais do desenvolvimento e doadores já reconheçam o valor das contribuições da mulher, a conclusão tirada do argumento apresentado pelo livro é que os responsáveis pela tomada de decisões em alguns países ainda não acataram a ideia. E embora os relatos narrados no livro tenham ocorrido na Ásia e na África, a violência contra as mulheres também ocorre na América Latina, como documentam a Amnesty International, a Comissão da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM) e o Washington Office on Latin America. A globalização desses abusos torna Half the Sky um livro necessário e um apelo de alerta.—Rosemarie Moreken, Especialista em Análise e Avaliação da IAF

 

Rethinking Corporate Social Engagement: Lessons from Latin America
[A reapresentação do compromisso social empresarial: Lições da América Latina]

De Lester M. Salamon
Kumeriam Press: Sterling, Virginia, 2010

Em primeiro lugar, divulgação total: há alguns anos, a Fundação Interamericana pediu a Lester Salamon, Diretor do Centro de Estudos sobre a Sociedade Civil da Johns Hopkins University, que fizesse um estudo sobre a responsabilidade social das empresas na América Latina. Ao concluir o projeto, Salamon condensou o imenso conjunto de informações recopilado no artigo intitulado “Responsabilidade Social Corporativa na América Latina: a nova parceria para o progresso?”, publicado em Desenvolvimento de Base em 2008.

Desde então, Salamon baseou-se ainda mais em seus materiais para produzir Rethinking Corporate Social Engagement: Lessons from Latin America, uma narrativa coesa, vívida e singular com a extensão de um livro que documenta a mudança gradual das últimas décadas na forma como as empresas e suas fundações operam quando exercem a responsabilidade social. Segundo Salamon, o paternalismo e a caridade estão dando lugar a duas tendências: a que ele denomina “o enfoque MBA”, que coloca os empresários e seus assessores na direção e se concentra em última análise em assegurar que haja um ambiente no qual a empresa possa operar sem reveses; e a outra, dirigida por profissionais, incentiva a participação dos beneficiários da generosidade empresarial em programas que devem levar a melhores condições.

Nos últimos 25 anos, afirma Salamon, as empresas convenceram-se cada vez mais da eficácia deste último enfoque. Para estudar esta tendência, o autor desenhou “a pirâmide do compromisso social empresarial”, que inclui cinco níveis de observância aos quais denominou “os cinco Ps”: proliferação, que se refere à extensão do enfoque; seguida, em geral, pelo profissionalismo do pessoal; participação das partes interessadas no desenho das atividades; existência de parcerias com o governo e a sociedade civil; e do ponto de vista ideal, a plena penetração dos princípios nas operações fundamentais da empresa. A pirâmide estreita-se para cima, refletindo os programas que evoluíram completamente até incluir todas os Ps. Nos níveis superiores é mais evidente a diferença entre este enfoque e o do MBA.

A pesquisa sobre estas diversas etapas levou Salamon à Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México. Entre as empresas e fundações que visitou estavam muitas que colaboraram com a IAF. O autor atribui generosamente à IAF a implementação dessas parcerias, as quais, a seu ver, foram fundamentais para o desenvolvimento de novas atitudes e práticas mais eficazes. No entanto, cumpre dar crédito também às empresas. Sob o impacto de fatores incontroláveis, tais como movimentos guerrilheiros, a adoção do neoliberalismo e a concorrência feroz que acompanha a globalização, as mais visionárias reexaminaram seu compromisso social com os menos favorecidos. Embora não seja provável que o enfoque do MBA desapareça em futuro próximo, Salamon parece detectar o avanço de um enfoque mais iluminado na América Latina.—Miguel Cuevas, Especialista em Análise e Avaliação