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Haiti: a resposta de base de Jenny Petrow

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Em 12 de janeiro, Chavanes Casséus, coordenador do Mouvement Paysan 3ème Section Camp-Perrin (MP3K), estava na capital para comprar os materiais necessários para o acabamento de um centro de processamento construído com uma doação da IAF ao MP3K. Quando ocorreu o terremoto, ele acabava de entrar em uma garage de Port-au-Prince. Meio minuto depois, sua camioneta estava achatada. Casséus sobreviveu mas perdeu sua filha de 16 anos que estava assistindo à aula em Port-au-Prince.

A IAF não é uma entidade de assistência em emergências e estes relatos podem fazer-nos sentir impotentes. Mas uma vez localizados nossos donatários haitianos, recorremos a eles para receber orientações sobre como proceder. Com décadas de experiência enfrentando escassez de alimento e água, instalações médicas e educacionais inadequadas e danos causados por furacões, estes movimentos de agricultores, associações de mulheres e ONGs locais formam redes às quais os peritos recomendam recorrer para atingir os mais necessitados. Eles entendem o contexto, gozam de confiança e podem mobilizar rapidamente as pessoas.

Após o terremoto, os donatários haitianos da IAF enquadram-se em dois grupos: os situados no epicentro ou próximo ao mesmo quando ocorreu o desastre, cujos membros e pessoal podem estar entre o 1,3 milhão que ficou desprovido de domicílio e os mais afastados que agora devem atender a mais de 500.000 haitianos que buscam refúgio nas sections communales ou áreas rurais. Com uma ajuda de emergência estimada em bilhões de dólares concentrados em Port-au-Prince, estes donatários do interior estão estendendo ao máximo seus escassos recursos para cuidar dos deslocados. Aumentou o número dos domicílios aos quais originalmente atendiam, e já não podem depender das infusões de dinheiro que costumavam receber dos parentes da capital.

Independentemente da localização dos donatários, suas necessidades iniciais eram surpreendentemente semelhantes: alimento, água potável, produtos de higiene pessoal, suprimentos para cozinhar, sementes, fertilizantes e meios financeiros para pôr as crianças deslocadas na escola e oferecer apoio psicológico. A resposta imediata da IAF assumiu a forma de doações suplementares de emergência; financiamento a prazos maiores e reprogramação serão considerados posteriormente. Obviamente, esta modesta assistência não responde à magnitude da devastação, mas os fundos adicionais podem ajudar as pessoas de baixa renda organizadas do Haiti a se sentirem novamente em controle. Como observou um residente de Jacmel depois de receber de um donatário da IAF alimentos e utensílios para cozinhar, “Se pa anpil la ki enpotan, men se jes la, ki fèt nan respe youn pou lòt, nou malerez men nou gen dignite” [o importante não é a quantidade mas o gesto de respeito mútuo. Estamos tristes, mas temos nossa dignidade]. Financiar esforços de base é algo que não apenas restaura a dignidade das pessoas que enfrentam condições deploráveis, mas também das organizações, especialmente daquelas que se têm sentido marginalizadas do esforço de assistência. A IAF continuará a acompanhar os donatários aqui descritos e a apoiar sua recuperação.

Adaptando-se à devastação

Por meio de suas duas incubadoras em Port-au-Prince, a Haitian Partners for Christiam Development (HPCD) prestava assistência, aconselhamento, espaço e serviços a empresários. Com suas instalações de Verreux severamente prejudicadas, foto à direita, HPCD transportou alguns de seus empresários a seu segundo local em Martissant para ajudá-los a reconstruir suas empresas. Antes do terremoto, a HPCD tinha feito parceria com a Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (MINUSTAH) para estender seus serviços a empresárias dos bairros marginalizados de Cité Soleil e Martissant, mas todos os colaboradores da equipe morreram ao desmoronar a sede da ONU. A HPCD considera seu programa como uma alternativa de longo prazo a projetos de dinheiro por trabalho que desempenham um papel importante na reconstrução. A IAF continuará a trabalhar com a HPCD à medida que esta reiniciar suas operações.

Os primeiros a socorrer

A República Dominicana foi rápida em ajudar seu vizinho. Entre os primeiros em responder estava o Movimiento Sociocultural de los Trabajadores Haitianos (MOSCTHA), donatário da IAF, constituído principalmente por haitiano-dominicanos e que servem comunidades haitiano-dominicanas. As clínicas móveis, médicos e paramédicos do MOSCTHA proporcionaram atendimento médico, alimentos, água e apoio psicológico em acampamentos de Port-au-Prince, Jacmel, Petit Goave e Leogane. Outros doadores que sabem apreciar as aptidões linguísticas e culturais do MOSCTHA incluem a missão da Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID) na República Dominicana, que formou parceria com o MOSCTHA para distribuir kits de higiene e limpeza em comunidades fronteiriças.

Trabalhando com mulheres proativas

Com sede em Port-au-Prince, o Fonds International de Développement Économique et Social (FIDES) apoia organizações rurais nas regiões Sud-Est, Ouest, Artibonite e Nord-Ouest. O FIDES utiliza seu suplemento da IAF para comprar feijão produzido localmente, inhame e outros produtos básicos para a distribuição às vítimas do terremoto por meio de parceiros no trabalho de base, tais como a organização de mulheres Fanm Deside de Jacmel y Òganizasyon Fanm Peyizan Mònabrile de Morne à Bruler. Ao comprar localmente, o FIDES está estimulando a economia.

A Rezo Fanm Frontyè Ba Plato (Rezo Famn) é uma rede de grupos de mulheres do sul da planície central próxima à fronteira dominicana, área que rapidamente ficou inundada de refugiados. Os residentes informaram que mais de 3.000 pessoas sem vínculos na área foram reunidas na capital e enviadas de ônibus ao povoado fronteiriço de Lascahobas. Embora a maioria já se tenha reunido com amigos e familiares, alguns continuam a viver em dormitórios improvisados que membros da Rezo Famn prepararam para eles com ajuda de doações da diáspora. Todos os dias dezenas de mulheres grávidas atravessavam a fronteira na esperança de chegar a instalações médicas na República Dominicana. A Rezo Famn está procurou conectá-las com parteiras, clínicas e hospitais locais e utilizou seu suplemento proporcionado pela IAF para preparar kits de cuidados pré e pós-parto, bem como oferecer bolsas de estudo a muitas crianças deslocadas sem escola e, portanto, mais vulneráveis aos traficantes.

Esticando recursos no Sul


Dirigentes do Mouvement Paysan 3ème Section Camp-Perrin (MP3K), no extremo sul do Haiti, estimam que 1.000 refugiados, incluindo 200 crianças, se estabeleceram em sua séction communale, ampliando cada domicílio com pelo menos três novos habitantes. Antes do terremoto, a experimentação do MP3K com uma nova técnica de cultivo de inhame teve como resultado mais mudas e uma produção maior do que nunca. Um mês depois do terremoto, com a chegada da estação da chuva, os agricultores do MP3K estavam prontos para voltar a plantar, e incluíram as famílias deslocadas em suas atividades. No futuro o MP3K porá à disposição deles mudas, capacitação e crédito. Embora isto signifique estender ao máximo os escassos recursos e reduzir o ritmo de expansão, o MP3K espera produzir um suprimento confiável de alimentos e proporcionar às famílias necessitadas uma fonte de renda. Está utilizando seu suplemento da IAF para trazer mais agricultores a seu programa e oferecer às vítimas alimento e bolsas de estudo.

A tenacidade em Jacmel

A pura tenacidade, o pessoal e os estudantes do Ciné Institute da Fondation Festival Film Jakmel’s (FFFJ) têm mostrado ao mundo a realidade pós-terremoto em reportagens que apareceram em The New York Times, Wall Street Journal e Globe and Mail do Canadá, e na CNN, AOL News, PBS, CBC e Grit TV. Outrora uma joia colonial, a cidade portuária de Jacmel perdeu muitos de seus edifícios históricos no desastre, incluindo o que alojava a escola de cinema da FFFJ. Mas os jovens cineastas do Ciné Institute recuperaram suas câmaras entre os escombros e imediatamente começaram a atrair a atenção sobre a situação premente dos residentes de Jacmel e a necessidade de ajuda.

Operando em um espaço provisório de armazenamento em seu terreno, o Ciné Institute foi a única escola da região sudeste em funcionamento durante todo o estado de emergência. O resultado foi um curso intensivo em jornalismo e cine documentário e também em trabalho de assistência, à medida que os estudantes ajudavam as vítimas a obter ajuda médica e colaboravam na distribuição de alimento, medicamentos, filtros d’água, tendas, cobertores e geradores. Esta exposição gerou tanto apoio por parte da indústria cinematográfica internacional e de outros doadores, que o Ciné Institute pode alugar espaço fora da cidade. “Nossos estudantes referem-se a este período pós-terremoto como a melhor aula mestre sobre responsabilidade cívica e jornalismo” indicou David Belle, Diretor da FFFJ.

Jeny Petrow é Representante da IAF para o Haiti, República Dominicana e o Caribe de língua inglesa. Rebeca Janes é fotógrafa profissional que vive em Indiana. Keziah Jean, primeira à direita na foto de baixo da página oposta, estuda no Ciné Institute.