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Bolsas da IAF: Financiamento de pesquisas sobre desenvolvimento de base de Mark Caicedo

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Desde que concedeu sua primeira doação para o desenvolvimento em 1972, a Fundação Interamericana é reconhecida como um organismo que financia as atividades de base de grupos de pobres na América Latina e no Caribe. Menos conhecido é o apoio prestado a pesquisas acadêmicas sobre tendências e temas de base, um compromisso que se remonta quase a essa mesma época, ao Programa Machado da IAF lançado pelo presidente Bill Dyal para financiar estudos de pós-graduação em universidades dos EUA por “pesquisadores latino-americanos que examinavam os mesmos tipos de problemas analisados por quem elaborava os projetos”.

Logo Dyal passou a financiar um grupo inicial de quatro estudantes de doutorado dos EUA; depois, por um período muito breve, pesquisadores de pós-doutorado e, por último, aspirantes ao mestrado. Deborah Szekely, presidente da IAF, instituiu a Bolsa Interamericana Dante B. Fascell, sumamente seletiva, que entre 1991 e 1995 permitiu que um pequeno grupo de destacados dirigentes de base da América Latina e do Caribe fizesse, onde desejasse, estudos independentes para a divulgação de seus bem-sucedidos enfoques em todo o continente. Os ex-bolsistas de todos os programas ascendem agora a 1.047, trabalharam em 35 países e representam 117 universidades de 36 estados dos EUA. O Programa Machado teve tanto êxito que se converteu num modelo para o programa de bolsistas de Ashoka.

Entre 2000 e 2006, a IAF suspendeu todas as bolsas por razões orçamentárias. Em 2007 foi reinstituído um componente: o apoio a pesquisas para teses de doutorado por estudantes matriculados em universidades dos EUA. A administração das bolsas pelo Instituto de Educação Internacional é uma importante mudança estrutural. A informação e os procedimentos pertinentes podem ser encontrados no site www.iie.org/iaf; a comunicação por meio de redes sociais coloca o programa na era digital.

Os 15 bolsistas são selecionados por um comitê de especialistas, alguns dos quais são ex-bolsistas, procedentes de universidades de todo o país. Os bolsistas recebem um estipêndio mensal por até um ano, um subsídio para pesquisa, a viagem de ida e volta para o local de pesquisa e seguro médico. A IAF também custeia os gastos de sua participação numa conferência realizada em meados de cada ano, uma singular característica das bolsas da IAF que reúne por vários dias os bolsistas do ano. A animada e intensa agenda inclui uma exposição das pesquisas, reuniões particulares com o comitê de seleção, deliberações em grupo sobre temas de desenvolvimento de base e intercâmbio de ideias. Os bolsistas também visitam os projetos da IAF. Como presidente da IAF entre 1984 e 1991, Deborah Szekely assistiu sempre às reuniões de meados do ano que, segundo recordava, podiam ser “uma correção intermediária”, assegurando que os projetos se mantivessem bem encaminhados. Ela afirmava que “muitos dos estudantes estavam bem, ainda que alguns descobrissem que as circunstâncias locais eram diferentes. Contudo, conseguiam se ausentar de suas universidades e estavam no país, e assim se resolve a situação.”

Szekely valorizava a exposição dos bolsistas a uma “experiência tridimensional prática”, como as que Elizabeth Lockwood e Luis Fujiwara, ambos pertencentes ao ciclo de bolsas de 2008-2009, compartilham nas páginas seguintes. Ela também assinalou o impacto na educação superior, ao destacar a prevalência de ex-bolsistas na liderança da Associação de Estudos Latino-Americanos. De fato, as raízes da IAF no mundo acadêmico são profundas. Com artigos publicados em Foreign Affairs e o livro The Engines of Change [Os motores da mudança], George C. Lodge, professor de Harvard, exerceu uma grande influência no clima intelectual conducente à criação da IAF no final da década de 1960 e foi designado como membro da primeira diretoria do novo organismo. Notadamente, Lodge escreveu que a pobreza era a maior ameaça aos interesses dos EUA nas Américas. Em seu artigo de 1969, “U.S. Aid to Latin America: Funding Radical Change” [Ajuda dos EUA à América Latina: financiamento da mudança radical], instou a que se criasse uma “Fundação Americana [para] buscar e financiar os motores de mudança que trabalham diretamente para revolucionar as estruturas sociais e políticas latino-americanas.” As pesquisas apoiadas pelas bolsas da IAF examinam esses motores de mudança — organizações de base e não governamentais — e o contexto em que trabalham, ampliando o conhecimento acadêmico sobre a mudança social no continente e introduzindo um enfoque prático.

Entre os quatro primeiros estudantes cujas pesquisas para a tese de doutorado foram financiadas pela IAF encontra-se Kevin Healy, agora representante da IAF para a Bolívia, professor adjunto da Universidade de Georgetown e membro do comitê de seleção de bolsistas da IAF. O estudo de Healy sobre a resistência à reforma agrária do governo da Bolívia na década de 1950, empreendido como bolsista, se converteu em um livro de sucesso, um texto clássico nas universidades bolivianas e, em data mais recente, o tema de uma entrevista com o autor televisionada na Bolívia em relação à lei sobre reforma agrária promulgada em 2008. A relevância de sua tese de doutorado é uma das razões da reputação de Healy como destacado especialista em desenvolvimento boliviano e nos movimentos indígenas da América Latina.

Entre outros bolsistas que influenciaram gerações de estudantes, assim como instituições e políticas públicas, inclusive a política de assistência para o desenvolvimento, cabe citar Jonathan Fox, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz; Carl J. Bauer, da Universidade do Arizona; Lynn Bolles, da Universidade de Maryland; Alika Wali, do Museu Field de Chicago; Philip Herr, do Escritório de Prestação de Contas do Governo; James Nations, ex-funcionário do Conservation International National, atualmente a serviço do Centro para o Estado dos Parques da Associação de Conservação de Parques; Michael Painter, do World Wildlife Fund (Fundo Mundial da Natureza); e Tom Reardon, do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares. Entre os latino-americanos que chegaram aos EUA como bolsistas entre 1974 e 1999, cabe citar Wasar Ari, da Universidade de Nebraska, o primeiro indígena aimara boliviano a obter um doutorado; Javier Morais González, que foi vice-ministro de comércio da Nicarágua; e Tomás Huanca, atualmente pesquisador no Centro Boliviano de Desenvolvimento e de Pesquisa Sócio-Integral (CBIDSI).

A IAF é a única instituição que financia especificamente as pesquisas concentradas no desenvolvimento de base da América Latina e do Caribe. Todos os bolsistas devem ter uma afiliação institucional, que os reúne com seus companheiros e colegas do mundo acadêmico para discutir e debater assuntos contemporâneos relacionados com o desenvolvimento de base no continente. Os bolsistas também estão em contato diário com praticantes e com o nível de base. Desta maneira, as bolsas da IAF complementam suas doações para o desenvolvimento com o fim de fomentar sua missão de “fortalecer os vínculos de amizade e compreensão” no continente e reforçar um enfoque constantemente reconhecido nas publicações sobre o desenvolvimento.

Mark Caicedo é editor fotográfico da IAF e trabalha no programa de bolsas desde 1994.