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Microcrédito—O Mistério Nordestino e o Grameen Brasileiro
By Marcelo Neri et al
Fundação Getúlio Vargas: Rio de Janeiro, 2008

Apesar de o papel do microcrédito na redução da pobreza ser amplamente reconhecido, muitos ainda não se convenceram. Na opinião dos céticos, ainda faltam dados concretos que demonstrem se microempresários, especialmente as mulheres, investem os lucros obtidos em seu negócio e, principalmente, na saúde e na educação dos filhos. Em Microcrédito—O Mistério Nordestino e o Grameen Brasileiro, o autor Marcelo Neri e seus colegas dão uma importante contribuição para o debate ao analisar o programa CrediAmigo, desenvolvido pelo Banco do Nordeste do Brasil em 1998. Neri, Ph.D. em economia pela Universidade de Princeton, dirige o Centro para Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, renomada instituição de ensino e pesquisa. Neri leciona no departamento de pós-graduação e publica artigos no Brasil e no estrangeiro.

A história do microcrédito no Brasil é um pouco anterior à do Grameen Bank, fundado em 1976 por Muhammad Yunus, pioneiro do microcrédito e prêmio Nobel em 2006. O Projeto UNO, primeiro programa de microcrédito da América do Sul, foi criado em Pernambuco no ano de 1973, com apoio da Acción International e, mais tarde foi ampliado com financiamento da Fundação Interamericana.

Tanto o CrediAmigo quanto o Grameen Bank fizeram empréstimos a grupos de pessoas carentes que oferecem como única garantia o reconhecimento de que são responsáveis conjunta e separadamente pelos pagamentos. A maior diferença entre as duas entidades é que o Grameen Bank atua em áreas rurais enquanto o CrediAmigo atua em cidades—um reflexo de questões demográficas já que Bangladesh é majoritariamente rural e no Brasil 86% da população vive em áreas urbanas.

O termo “mistério nordestino” utilizado no título deste livro é uma brincadeira com a expressão “mistério brasileiro”, usada pela primeira vez em 1997 por Claudio González Vega, especialista em microfinanças que questionou por que o volume e a qualidade do crédito no Brasil eram mais baixos que aqueles de outros países com nível semelhante de renda. A demanda por crédito no Brasil ainda supera a oferta substancialmente, mas em anos recentes, a disponibilidade de crédito ampliouse mais no nordeste brasileiro que no restante do país. Microcrédito argumenta de forma convincente que o motivo é o CrediAmigo, resolvendo assim “o mistério nordestino”. A obra também apresenta provas irrefutáveis de que os clientes do CrediAmigo não são apenas merecedores de crédito, como atesta a taxa de pagamento de 84%, mas também que muitos—mais de 60% usaram os empréstimos para sair da pobreza. Trata-se de uma conquista excepcional sob qualquer ponto de vista.

O microcrédito geralmente é definido como uma concessão de pequenos empréstimos para empresários de baixa renda. Logicamente, como qualquer um, pessoas de baixa renda necessitam de uma ampla gama de serviços financeiros abrangentes para proteger e aumentar a renda, orçamento para consumo, construir ativos, gerenciar o negócio e os riscos a ele associados. Microfinança é o termo para definir a gama de serviços que abrange empréstimos, poupança, transferências de valores e microseguro. Certamente, o crédito é um meio, não um fim em si mesmo. Por isso, os seus efeitos devem ser estudados não apenas em termos de retorno financeiro (a lucratividade e sustentabilidade do programa de crédito), mas também em termos de impacto—no negócio e também nas pessoas e suas famílias.

Qualquer pesssoa que duvide do poder do microcrédito deve ler este livro que documenta detalhadamente dados de um programa que já beneficiou quase 1 milhão de clientes em mais de 10 anos, ajudando-os a sustentar suas famílias com dignidade. O livro traz boas novas para os clientes e beneficiários destes programas, para as instituições éticas de microfinanciamento que buscam oferecer serviços acessíveis e viáveis aos pobres e para os doadores que investem em programas de microcrédito por causa do impacto social, econômico e de desenvolvimento. Para ter acesso a mais dados, visite www.fgv.br/cps/crediamigo, um site interativo disponível em português e em inglês.—Miriam Euclides Brandão, representante da IAF