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Cartas de nossos leitores

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Fiquei muito feliz ao ler a respeito de iniciativas de reciclagem em comunidades na Desenvolvimento de Base 2008 e gostaria de contribuir para com este debate de mudança de paradigma em prol de comunidades mais sustentáveis.

A University of Victoria, no Canadá, junto com várias organizações parceiras no Brasil (Universidade de São Paulo, Rede Mulher de Educação, Fórum Recicla São Paulo, entre outras) está ajudando cooperativas e associações de reciclagem na área metropolitana de São Paulo a aumentar sua eficiência, segurança e geração de renda. Nosso projeto Participatory Sustainable Waste Management [Manejo de Resíduos Sustentável e Participativo, ou PSWM] trabalha com grupos e com representantes governamentais em estruturas organizacionais, na capacitação para formar redes sociais e na conscientização do público. As atividades destinam-se a:
• comercialização coletiva, o que ajuda a aumentar a renda;
• políticas inclusivas de manejo de resíduos que compensam os recicladores por recuperarem os recursos;
• agregar valor aos recicláveis produzindo varais de roupa a partir de garrafas de refrigerantes, por exemplo;
• criação de um fundo de microcrédito para fornecer capital de giro para transações de comercialização; e
• um vídeo que dê voz aos recicladores nas decisões referentes a políticas públicas.

O projeto PSWM utiliza workshops, visitas a campo, conteúdo na internet, apresentações, conferências, materiais educativos e documentários para informar o público que resíduos sólidos podem ser nocivos e benéficos ao meio-ambiente, além de lucrativos. Espalhamos a men sagem que parcerias público-privadas na área de manejo de resíduos são uma solução que beneficia a todos e que é inteligente abordar problemas sociais e ambientais com uma gestão de resíduos que seja inclusiva.

É impressionante constatar o que foi obtido em termos de desenvolvimento de recursos humanos através de treinamento e capacitação. A mudança na formulação de políticas é possível quando o conhecimento passa a ser acessível e é aplicado por aqueles que serão afetados pelos resultados. As lições do projeto do Brasil são compartilhadas com comunidades no Canadá. Muitos estudantes no Brasil e no Canadá participam de atividades e na disseminação do conhecimento a ser utilizado pelos participantes. O projeto recebeu recursos através do Canadian International Development Agency’s University Partnership for Cooperation and Development Program e do International Development Research Centre, no Canadá. Para mais informações, envie um e-mail para juttag@uvic.ca ou visite http://cbrl.uvic.ca.

Jutta Gutberlet
Coordenadora, Laboratório de Pesquisa de Base Comunitária Departamento de Geografia University of Victoria
Canadá



Ficamos honrados com sua retrospectiva das conquistas e desafios dos últimos 22 anos de trabalho da CIDAC e ARTECAMPO.

Nós, que vivenciamos a realidade multi-étnica e multicultural da Bolívia e que vivemos e trabalhamos ao lado de pessoas do campo diariamente já não damos mais muita importância ao fato de alguém ser chiquitano ou guarayo; tão somente respeitamos seus costumes e particularidades. Mas sabemos que no mundo exterior é muito importante dar ênfase à origem das pessoas com as quais trabalhamos, até mesmo no caso dos profissionais, porque isto acentua os valores de tolerância e a capacidade de viver juntos em harmonia racial.

Consideramos muito interessante a sua pergunta: “A sociedade de Santa Cruz abrirá seus olhos, ouvidos e carteiras para a beleza produzida por artesãos de diversos grupos étnicos e comunidades rurais”? A resposta aparece quando visitamos famílias de classe média e contatamos que nossos produtos artesanais decoram suas casas e que preferem dar de presente produtos de nossos artesãos para pessoas de fora do país. São presentes que transmitem o orgulho da cultura da região leste da Bolívia e da qualidade de nosso trabalho. A demanda por nossos produtos é maior que a oferta, apesar de não investirmos em marketing e do fato de que cópias de nossos produtos são mais baratas.

Outra pergunta colocada foi “se a ARTECAMPO e seu programa de comercialização podem tornar-se auto-suficientes” e os senhores expressam a possibilidade de que isto não venha a acontecer. Nós não somos apenas otimistas, temos certeza de que iremos conseguir. Se alcançarmos a auto-suficiência nos pontos de venda da ARTECAMPO, por que não conseguiríamos o mesmo no programa? Sabemos muito bem que se trata de um processo que ainda demanda recursos, tempo e paciência. Mas se logramos ajudar mulheres que mal sabem ler e escrever a cuidar da própria contabilidade, se a beleza de seu artesanato se ajusta aos cânones estéticos do mundo moderno....

Estas são apenas algumas reflexões espontâneas em relação ao seu adorável artigo.

Zofia Cywinska
Contadora CIDAC/ARTECAMPO
Santa Cruz, Bolívia