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Relatório do Presidente da IAF-2011

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RKaplan

Robert N. Kaplan ingressou na Fundação Interamericana em 1º de novembro de 2010 como Presidente e Diretor Executivo.

De 1994 a 2010 Kaplan trabalhou no Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), mais recentemente como Assessor-Chefe do Vice-Presidente Executivo. Antes de assumir este cargo, Kaplan foi Chefe da Divisão de Gestão de Recursos Naturais e Ambientais (1998-2007) para o México, América Central, República Dominicana e Haiti, cargo em que era responsável por todos os programas do BID nesses países relacionados com a agricultura e desenvolvimento rural, água potável e saneamento, meio ambiente, desastres naturais, gestão de riscos e desenvolvimento municipal.

Antes de ingressar no BID trabalhou no Banco Mundial em projetos de educação e meio ambiente. Foi o primeiro Chefe do Programa-Piloto para Conservar a Floresta Tropical brasileira, um programa com uma doação de US$ 250 milhões.

Kaplan foi Voluntário do ex-Corpo da Paz no Paraguai. Recebeu o bacharelado em pedagogia na University of North Carolina em Chapel Hill e obteve o mestrado em Assuntos Públicos na Princeton University. É fluente em espanhol e português e versado em guarani. Ele e Lorrie, sua esposa, têm dois filhos adultos. É ciclista ávido.

Estou escrevendo este relatório ao mesmo tempo em que comemoro o meu primeiro aniversário como Presidente da Fundação Interamericana, embora minha identificação com os ideais da IAF remonte a muito antes. Tomei conhecimento pela primeira vez da existência deste organismo em meados da década de 1980, como estudante de pós-graduação, em um seminário no qual fizeram exposições vários representantes da Fundação. A minha experiência naquela época como voluntário do Corpo de Paz em Santa Cecilia, Paraguai, uma comunidade relativamente isolada de 150 domicílios, influenciou meus estudos acadêmicos, uma vez que eu me perguntava como os instrumentos analíticos que eu estava adquirindo refletiam a situação de meus vizinhos paraguaios. Por isso, fiquei impressionado com o compromisso da IAF de ouvir as pessoas que se empenhavam em transformar suas comunidades em lugares melhores para viver e trabalhar, bem como em aprender delas e apoiá-las.

Antes de entrar para a IAF, trabalhei duas décadas no Banco Mundial e no Banco Interamericano de Desenvolvimento. As políticas e investimentos apoiados por estas instituições podem ser fatores de transformação e fomos testemunhas do progresso. Mas para aproveitar as oportunidades oferecidas pelo progresso, as pessoas como meus vizinhos de Santa Cecilia devem ser atores e não expectadores. Neste último ano confirmei que essa participação continua a ser a pedra angular do enfoque da IAF e, a meu ver, fundamental para que a ajuda externa para o desenvolvimento seja inteligente e custo-eficiente. Minhas viagens durante este ano com a IAF me permitiram entrar em contato com donatários de seis países e fui testemunha de primeira mão da forma como a Fundação reconhece o poder das ideias e dos grupos organizados para transformar as suas ideias em resultados:

  • Conheci pescadores de cooperativas salvadorenhas que trabalham no Lago de Ilopango, as quais triplicaram as suas receitas produzindo ali mesmo os próprios filhotes. A sua tilápia está chegando a novos mercados e os pescadores têm adquirido aptidões comerciais e de gestão valiosas, criando empregos novos nas respectivas comunidades. (A sua história foi narrada na edição de Desenvolvimento de Base, revista anual da IAF, em 2010.)
  • Os recicladores da Colômbia e Paraguai, que recolhem, processam e vendem dejetos, me contaram como tinham aumentado a sua renda e obtido respeito trabalhando juntos. Muitas vezes sumamente pobres e vivendo marginalizados da sociedade, esses homens e mulheres têm formalizado relações com as autoridades locais e melhorado suas condições de trabalho e as perspectivas futuras. (Ver a história de Nohra Padilla em Desenvolvimento de Base de 2011.)
  • Caminhando pelos bosques do sul do México, tomei conhecimento da forma como as comunidades indígenas que os possuem acompanham o crescimento da biomassa e vendem compensações do carbono a empresas mexicanas que desejam neutralizar sua pegada de carbono. Poucos projetos ilustram melhor a forma como as comunidades participam dos sistemas globalizados. Sentem os efeitos do que ocorre além de suas fronteiras e aproveitam as oportunidades oferecidas por um sistema globalizado.

Ao encerrar o exercício financeiro de 2011, a carteira de doações ativas da IAF tinha 262 donatários, o que representa uma investimento de US$65,1 milhões por parte da IAF e o compromisso de outros US$92 milhões por parte das organizações. Somente durante o exercício financeiro de 2011 a IAF investiu US$15 milhões em 94 donatários que contribuíram com outros US$20,3 milhões em recursos de contrapartida. A maioria destas organizações está empenhada em aumentar sua renda por meio de empresas mais produtivas agrícolas, turísticas, artesanais e de processamento de alimentos. Outras proporcionarão acesso à água potável e serviços sanitários ou oferecerão treinamento. O financiamento da IAF chega aos colombianos deslocados pelo conflito armado e aos haitianos que foram vítimas do terremoto ocorrido em janeiro de 2010, em um momento em que se empenham em formar comunidades com maior capacidade de recuperação. A maioria das doações da IAF direciona-se aos grupos mais pobres da região: afrodescendentes, comunidades indígenas, pessoas com deficiência, mulheres e jovens. Semestralmente a IAF recolhe e verifica independentemente os principais resultados de cada doação. Isso ajuda, tanto aos donatários como a nós, a detectar o que funciona e fazer as adaptações pertinentes; além disso permite à IAF aprofundar seus conhecimentos especializados em dinâmica e prática do desenvolvimento comunitário, no qual está enfocado o trabalho do nosso organismo há quatro décadas.

A adoção de um enfoque concentrado e a realização de esforços coordenados para conseguir resultados são dois dos princípios fundamentais da primeira diretiva presidencial sobre a política para o desenvolvimento mundial, expedida pelo Presidente Obama em setembro de 2010. A IAF contribui com o seu conhecimento especializado e as parcerias que tem estabelecido há 40 anos com organizações da sociedade civil para complementar os esforços de outros organismos. Por exemplo, nos próximos anos o financiamento da IAF em El Salvador refletirá as prioridades constantes do plano de ação conjunto para a iniciativa-piloto da Parceria para o Crescimento, que proporciona a estrutura para a coordenação dos programas de ajuda externa oferecidos por cerca de uma dezena de órgãos do Governo dos Estados Unidos. A flexibilidade e agilidade próprias de ser uma instituição pequena e independente têm-se constituído em ativos nos esforços da IAF no sentido de conseguir parceiros no setor privado. Entre eles figura uma rede de fundações empresariais latino-americanas lançada há 10 anos por iniciativa da IAF sob o nome de RedEAmérica para apoiar as soluções provenientes da base.

Embora tenham melhorado as condições para muitos na América Latina e no Caribe, as desigualdades se têm aprofundado e as necessidades urgentes ainda solapam a estrutura de muitas comunidades. Os pobres organizados recorrem à IAF com suas ideias, determinação, disposição para trabalhar e recursos que podem obter. Com respeito e sem alarde, a IAF apoia seus esforços para superar a pobreza e melhorar as oportunidades para eles e seus filhos. Durante décadas isso se tem traduzido em manifestações de boa vontade com relação aos estadunidenses e em uma presença construtiva dos Estados Unidos em todo o continente, inclusive em países com os quais as relações podem ser tensas. Investimentos custo-eficientes no nível de base, os quais contribuem para tornar as comunidades da América Latina e do Caribe lugares bons para viver, basicamente beneficiam os Estados Unidos. Esse é o mandato conferido pelo Congresso dos EUA à Fundação Interamericana há quatro décadas, tão importante e pertinente hoje como sempre.

Agradeço ao Conselho Diretor da IAF o apoio e a confiança em mim depositados durante este ano enquanto eu aprendia no exercício do cargo. Quero também expressar o meu reconhecimento e agradecimento a três colegas que se aposentaram em 2011 depois de prestar serviços por um período prolongado e especialmente produtivo: Wilbur Wright, que ascendeu por vários cargos do Escritório de Programas até ser nomeado Diretor Regional para a América do Sul e o Caribe; Linda Kolko, que exerceu diversas Vice-Presidências desde 1991 e as funções de Presidente Interina em duas ocasiões; e Pam Palma, que entrou para a IAF em 1978 e atualmente é a Diretora de Gestão da Informação e Recursos Humanos. Os três têm contribuído para que o mundo seja melhor. Sentiremos a falta de todos eles.

 

Robert N. Kaplan 
Dezembro, 2011