You are viewing archived content
of the Inter-American Foundation website as it appeared on June 1, 2018.

Content in this archive site is NOT UPDATED.
Links and dynamic content may not function, and downloads may not be available.
External links to other Internet sites should not be construed as an endorsement of the views contained therein.
Go to the current iaf.gov website
for up-to-date information about community-led development in Latin America and the Caribbean.

Blog

Print
Press Enter to show all options, press Tab go to next option

O conflito, a coca e o café na Colômbia

Edith Bermudez*

By Inter-American Foundation on Comment

Apesar de estarem na mira da guerra civil colombiana, os determinados fazendeiros de café do Departamento de Cauca estão menos interessados em tomar partido do que em trabalhar para viver, melhorando a qualidade de seus produtos e coexistindo com outros em paz em suas comunidades. Eles resistiram por muito tempo à intervenção de grupos armados ilegais, trabalhando ardorosamente em seus cafezais com um espírito empreendedor fortalecido pela formação de coperativas. Suas histórias representam a esperança em face do conflito e da mudança, o potencial para a oportundade e a importância da liderança comunitária. 

Em nosso tour recente da região, visitei deversas dessas cooperativas, incluindo a Cooperativa do Sul de Cauca  (Cooperativa del Sur del CaucaCOSURCA), um parceiro financiado da Fundação Interamericana (IAF) que é uma associação tutelar de 11 diferentes associações de fazendeiros. 

Timbio1
Cidade de Timbio em Popayán Colômbia 

Os escritórios e a planta de processamento da COSURCA ficam localizados em Timbio, uma cidade em uma área particularmente bonita a cerca de 20 minutos de Popayan, a capital do departamento. Infelizmente para os quase 1.700 fazendeiros de café associados à COSURCA juntamente com outras cooperativas como a Associação de Produtores da Sierra Asociación de productores de la Sierra — ASPROSI) e a Associação de Produtores de Balboa (Asociación de Productores de Balboa — ASPROBALBOA), a região também é o grau zero da épica batalha da Colômbia entre o governo, o grupo guerrilheiro FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupos paramilitares que combatem as FARC e vários criminosos envolvidos na produção de cocaína. 

O gerente da COSURCA rene Ausecha observou que certos municípios da área ainda têm a forte presença de figuras ilegais, como as FARC, e que o suporte da COSURCA tem sido crítico para as comunidades que lutam para fazer a transição de uma economia baseada na coca para a produção de café e outras lavouras como fontes de renda. 

“A IAF tem estado ao nosso lado através dos tempos mais difíceis”, disse ele, “mas o ambiente ainda é inseguro em algumas comunidades”. Ele explicou que o conflito dividiu muitas comunidades, esfacelando o tecido social que é tão essencial para seguir em frente com iniciativas produtivas e tornando o trabalho da COSURCA e de outras cooperativas muito mais desafiador. 

Exportcoffee
COSURCA Café transformado pronto para ser exportado para uma variedade de cafés especiais.

Fazer com que os produtores de coca passe a cultivar café, cana de açúcar ou outras lavouras é crítico para a agenda de paz em Cauca, mas mesmo com a assistência técnica constante é difícil tornar esses produtos lucrativos o bastante para substituir a coca. Assim, o que a maioria dos fazendeiros daqui quer debater não é o conflito de décadas, mas sim os desafios que eles enfrentam na produção do café, incluindo o combate ao fungo da ferrugem do café, a melhoria da qualidade do café e a expansão dos mercados para manter a competitividade. A COSURCA, por exemplo, processa café para torrefadoras internacionais, mas também vende café torrado para o mercado doméstico e até adentrou na atividade de processar e vender sucos de frutas. 

Visitamos Alba Luci Santacruz, de 45 anos, mãe de três filhos e membro da cooperativa, que nos conduziu em uma rápida visita por sua eclética fazenda, que inclui tudo, desde vegetais cultivados organicamente até café, e que utiliza fertilizantes orgânicos de compostagem e outros produtos reciclados. “Minha família come vegetais saudáveis”, conta ela com orgulho enquanto tira um punhado de cenouras da terra. “Eu não cultivo coca porque tenho o café e posso culticar outras coisas em minha fazenda para comer, sem correr riscos”.

Cocaplantation
Quando visitámos produtores de café encontramos plantações de coca. Alba Luci explicou é um negócio arriscado.

“Você encontra muitos outros fazendeiros como Alba”, explica Ruber Paramija da COSURCA, que se impressiona com a resolução dos membros de plantar novos produtos e de mudar suas práticas, mesmo em face dos muitos desafios envolvidos quando se mora em uma zona de conflito. 

Através dos anos, os fazendeiros realmente sofreram nas mãos de todas as partes envolvidas no conflito. Por exemplo, a pulverização aérea feita pelo governo no “Plano Colômbia” para erradicar as plantações de coca também destruiu plantações de milho, feijão e outras lavouras, além de adoecer alguns habitantes locais. Ausecha disse que os paramilitares se infiltraram em uma de suas organizações parceiras, e que as FARC exigiram propinas que a cooperativa se recusou a pagar. Além disso, a COSURCA se opõe ao cultivo de coca, exceto com fins medicinais, e se opões particularmente à sua monocultura, que substitui a produção de alimentos. 

“Nossos parceiros e nós mesmos fomos abordados para ‘la vacuna’ (pagamentos para a guerrilha), mas resistimos”, declarou Ausecha. “Permanecemos firmes para mostrar que a comunidade nos apoia e que trabalhamos para o bem comum”.

carrots
Alba Luci Santacruz mostra os produtos da sua horta orgânica

No final, é claro que são os próprios fazendeiros locais que tomam suas decisões sobre o que plantar e como resistir ao conflito que os rodeia. Até este momento, eles permanecem focados em trabalhar juntos e seguir em frente em direção aos dividendos da paz, que podem muito bem vir em forma de café. E com a paz aparentemente mais próxima no horizonte, Ausecha da COSURCA permanece otimista: “A esperança é de que agora, com o processo de paz, as coisas sejam diferentes”. E é muito provável que sejam mesmo, porque após sofrer com os anos de guerra, os fazendeiros de Cauca estão garantindo estar prontos para a paz

______________________________________________________________________

*Edith Bermudez, é uma especialista em comunicações para o Escritório de Assuntos Externos e de Governo no IAF.

Return to full list >>
comments powered by Disqus